quarta-feira, 1 de julho de 2015

Acontecimentos de Nossos Dias



OS ACONTECIMENTOS DE NOSSOS DIAS


Tenho dito que vivemos numa geração pós-moderna, pluralista, relativista e com forte ação para o paganismo antigo. Isso se dá de diversas formas: pelo desrespeito às instituições, pelo distanciamento consciente da influência da ética e moral cristã, pela perda contínua do pátrio poder, pela relativização da verdade, pelo apelo à libertinagem disfarçada de liberdade, por uma espiritualidade pessoal fraca e superficial, pelo hedonismo e busca da felicidade sem respeito ao outro, pelas relações casuais, pela sexolatria maquiada de direitos civis, pelo culto ao corpo e aos padrões de beleza fora da realidade humana, por uma política de conchavos, corrupta e corrosiva do erário público que não dá a mínima para o povo que diz representar, por uma forte impunidade disfarçada de direitos humanos, por uma Academia mais marcada por teorias e utopias e menos ciência que melhora o mundo, pela intolerância religiosa e contra a religião e por uma sociedade que exige diariamente seus “direitos” e não pratica nem conhece seus deveres.

É óbvio que em um tempo assim, não devemos subestimar ou nos surpreender com nada que acontece, assim como as Escrituras já a quase dois mil anos atrás nos advertia que os nossos dias teriam estas características. Vejamos o que elas nos dizem:

A)    Jesus nos antecipou que haveria de acontecer problemas de todas as ordens, familiares, relacionais, geopolíticos e na natureza (Mateus 24.4-14)

B)    Jesus nos disse que as pessoas se comportariam nestes tempos como os da época do dilúvio e de Sodoma e Gomorra (Lucas 17.22-30)

C)    Paulo nos assevera que estes dias que vivemos é marcado pela mudança dos fundamentos da verdade (2 Tessalonicenses 2.2-12)

D)    Ele nos diz que nossos dias serão marcados pela influência maligna e demoníaca que se inicia primeiro nos ambientes da fé (1 Timóteo 4.1,2)

E)     Paulo também nos afirma que nossos dias serão invadidos por uma forte mudança no comportamento das pessoas a partir de sua individualidade (2 Timóteo 3.1-9)

F)     Pedro nos avisa que falsos mestres iniciarão um movimento destrutivo dentro da própria igreja de Cristo tentando afastar os fiéis de Deus, da verdade e do evangelho de nosso Senhor (2 Pedro 2)

G)    João nos informa que há uma clara separação entre o cristão genuíno e o espírito do mundo (1 João 2.1-17)

H)    Judas nos mostra como em nossos dias e sempre existiram pessoas que se disfarçavam de espirituais, mas verdadeiramente são como enviados do Maligno para corromper os homens e mulheres de Deus (Judas.4-19)

Basicamente isso. Não é de admirar que gente com essas características tentem, vez após outra, influenciar os meios de comunicação e as diversas mídias que existem (e com eficácia) para seus fins destrutivos da moral e ética cristãs, que tentem, até por meio de leis, calar a boca dos que eles chama de “intolerantes religiosos” ou “fundamentalistas cristãos” para que não lancem em suas faces seus pecados e iniquidade. Não se deve imaginar que essas pessoas não tentariam mudar até a forma de ensino nas escolas para que as crianças cresçam mais tendentes ao seu modelo de “família” e “sociedade igual”. Não se deve assustar com suas falas, suas campanhas, suas manifestações e coisas semelhantes, pois esse é o espírito que lhes guia. Rejeitam a verdade, odeiam as Escrituras, abominam o Deus bíblico santo e puro, manipulam a própria imagem de Jesus à sua imagem pecaminosa e indecente, traduzem os textos à sua maneira e cosmovisão, amam uma falsa liberdade e se comportam como animais no cio. O que esperar de uma geração assim?

A nós, cristãos bíblicos só nos restam algumas poucas coisas a fazer, a saber:

1)      Continuar levando a mensagem da salvação aos perdidos (Marcos 16.15,16). Lembre-se, não são perdidos porque são pessoas maravilhosas ou boas, mas precisamente por estarem em rebelião contra Deus e sua Palavra. Devemos pregar o evangelho em todo o tempo (2 Timóteo 4.2). Não podemos negociar essa ordem bíblica, é imperativo que não nos calemos. Não somos neutros neste mundo.

2)      Devemos procurar influenciar da maneira que for possível os governantes de nossa nação para que façam leis e legislem de forma a vivermos em paz e tranquilos (1 Timóteo 2.1-6), mas tudo começa pela oração por eles. Não somos chamados a ser passivos enquanto o mundo desmorona ao nosso redor, somos chamados para sermos pacíficos. Ao mesmo tempo, temos uma causa que vale a pena lutar por ela pelos meios legais disponíveis, por isso não devemos nos acomodar.

3)      Viver uma vida de santidade diante de Deus e dos homens, sendo sal e luz nesta terra (Mateus 5.13 e 1 Pedro 2.11-15),

Aos pastores bíblicos ficam duas grandes tarefas a cumprir neste tempo e diante de todos os acontecimentos:

Primeiro – devemos proteger e cuidar do rebanho de Deus como o Sumo Pastor nos ensinou e como os apóstolos nos ensinaram (João 10.11-13 / Atos 20.28-31 / 1 Pedro 5.1-4). Essa e nossa tarefa principal.

Segundo – devemos da mesma forma zelar pela sã doutrina e pelo evangelho, com a finalidade de que o rebanho de Deus não se desvie após hereges e heresias (Romanos 16.17 / Efésios 4.11-14 / 1 Timóteo 1.3-10 e 4.16 / Tito 1.7-11 / Hebtreus 13.17 / 2 João 1.9,10 / Apocalipse 2.14,15).

Minha esposa me ouviu falando sobre isso esses dias e me deu uma pérola de sua sabedoria. Ela me disse que os pastores deveriam se preocupar em proteger o rebanho de Deus das falsas doutrinas e cuidar para ele seja preservado de todo este mal do mundo. Sei que isso só é válido para verdadeiras ovelhas, portanto, algo que só será feito em parte. Mas veio-me a lembrança do que aconteceu quando Deus quis libertar seu povo do Egito: enquanto ele julgava aquela poderosa nação com suas pragas, \Ele protegia seu povo na terra de Gósen (Êxodo 8.6; 9.26; 10.21,22). Quem sabe, se Deus assim quiser, possa fazer com que nosso trabalho pastoral redunde neste tipo de proteção para Seu rebanho nestes dias difíceis.

A Deus toda a glória!


Bp. Carlos Carvalho
Teólogo e Pr. Sênior da Comunidade Batista Bíblica

Cientista Social e fundador da ONG ABAN Brasil  

terça-feira, 16 de junho de 2015

Dois Alvos com uma Única Flecha


DOIS ALVOS COM UMA ÚNICA FLECHA

Naquela hora chegaram-se a Jesus os discípulos e perguntaram: Quem é o maior no reino dos céus?
Jesus, chamando uma criança, colocou-a no meio deles,
e disse: Em verdade vos digo que se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus.
Portanto, quem se tornar humilde como esta criança, esse é o maior no reino dos céus.
E qualquer que receber em meu nome uma criança tal como esta, a mim me recebe.
Mateus 18:1-5

Os discípulos de Jesus fizeram uma pergunta e ele deu uma resposta que abarca dois temas que são necessários ter uma ideia clara sobre eles. De alguma forma os seus seguidores iniciaram entre si uma questão sobre quem deles ou quem seria a pessoa de maior importância no reino de Deus. Esta pergunta não era infantil ou fruto de competições pessoais, mas era uma dúvida que envolvia toda a cultura na qual aqueles homens estavam inseridos que compreendiam promessas messiânicas, restauração do reino davídico, libertação do domínio do império romano e a promessa que o Messias (Jesus) iria reinar em seu novo reino que estava anunciando.

Portanto, eles queriam saber qual seria a ordem de importância e de valores neste novo reino que Jesus está anunciando, qual era o papel deles por causa de sua origem não nobre e como é que os que agora detinham o governo sobre o povo – escribas, fariseus e Sinédrio – ficariam, porque estavam acostumados com um modelo de governo no qual nasceram e no qual vivam normalmente suas vidas. É claro que não entendiam naquele momento que o reino que Jesus estava anunciando era primeiramente um governo no coração dos homens para num futuro vir e estabelecer um governo físico sobre o mundo, mas a pergunta tinha seus motivos e por isso o Senhor não os repreendeu, mas lhes mostrou algo.

Ele toma uma criança e a coloca o meio deles e lhes anuncia os dois grandes temas que penso ser o centro de sua fala:

Primeiro, ele diz que todos em seu novo reino devem se comportar como uma criança, sem maiores aspirações, na dependência de seus cuidadores (pais ou tutores), neste caso de Deus, humildes no sentido de que não possuem recursos próprios para governar sobre outros, impossibilitados de controlar sua própria vida por causa de seu estado infantil e etc. Mas Jesus também deixa claro que isso só será possível pela conversão da alma a este estado de “criança”. A palavra que Jesus usou aqui para conceituar sua ideia é “straphote”, da raiz “strepho”, que por sua vez significa “voltar-se”, “transformar-se” ou “mudar a si mesmo” literalmente. Portanto, o maior no novo reino, será aquele ou aquela que assumir esta condição de criança através da genuína conversão de sua alma a Deus. Esta conversão é uma ação espiritual, mas é a única base sustentável para que alguém se mantenha ou tenha lugar no reino de Jesus.

Segundo, ele diz no verso cinco que quando alguém recebe uma criança também o recebe em seu contexto de vida. Há duas interpretações que os estudiosos fazem desta afirmação. Uma é que a criança aqui é uma criança literal e outra é que esta criança representa todos os crentes na fé. Ainda que possamos aceitar a segunda sem maiores reservas, prefiro a segunda, pois nos deixa mais dentro da imagem que o texto nos passa. É sabido que o mundo antigo dava pouca importância às crianças e principalmente as de sexo feminino. Jesus, como sempre, inverte o quadro de valores de sua época e põe os de menos valor em posição de igualdade ou superior. É próprio dele isso.

A resposta dupla do Senhor ensina aos discípulos e a nós a essência de seu evangelho. É preciso se converter e se tornar como uma criança para entrar em seu novo reino, no reino de Deus, e de outra forma não será possível essa entrada. Ser como uma criança, destituída de maiores pretensões e de busca por posições ou status, se torna a condição ideal para ser cidadão importante deste reino espiritual. A importância se dá exatamente por não desejar importância. Um duro golpe nas mentes de antes e nas de hoje.
Por outro lado, não devemos deixar de pensar e agir concretamente para beneficiar e abençoar as crianças de nosso entorno de vida. Elas devem estar em nossas agendas e também nas listas de prioridades de ações sociais. Elas devem ser protegidas e cuidadas como se cuidássemos do próprio Jesus. As crianças são alvo do amor e cuidado de Deus, mas Ele não vai descer de sua morada para vir socorrê-las e protegê-las, Ele deixou isto por nossa conta. Amar e cuidar de nossas crianças não é uma questão de direito delas – como no caso do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) – mas uma questão de responsabilidade dos adultos. Não seriam necessário leis de direitos se olhássemos para elas como Jesus nos ordenou.

Também “crianças” devem ser vistas como todos aqueles e aquelas que têm profundas necessidades e, sem a ajuda adequada e contundente, não poderão sair das prisões limitantes impostas pela vida ou por seu estado de nascimento. São crianças nas impossibilidades de se sobressair das situações mais humilhantes, aflitivas e desumanas nas quais se encontram. Essas “crianças” devem ser colocadas em lugar de importância nas nossas atuações sociais e pessoais. Isso é viver o Evangelho, a mensagem de Jesus e a conversão que nos faz participar de seu novo reino.


Carlos de Carvalho
Pastor Sênior da Comunidade Batista Bíblica
Teólogo, Cientista Social.
Fundador da ONG ABAN Brasil

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sexta-feira, 5 de junho de 2015

Dinheiro

DINHEIRO


Todo o nosso sistema invariavelmente e inalteravelmente está dependente do dinheiro, seja Real, Dólar, Euro ou outra moeda. Tudo está, como numa imagem de DNA, intrínseco de forma tão profunda em nossa sociedade humana, que é impossível prever qualquer outro modelo econômico mais eficaz que este. Computamos tudo em termos de dinheiro:

Salários, benefícios e lucros.

Férias, compras e entretenimento.

Os percentuais de impostos se transformam em dinheiro.

As marcas globais e locais se movimentam em função dos valores.

A pesquisa em saúde, remédios e vacinas são financiadas por investimentos em dinheiro.

O conhecimento adquirido ou oferecido tem preço.

A comunicação universal é fundada no lucro aos acionistas e investidores.

As ideias têm preço.

A inflação vista em percentuais é na ponta ganho ou perdas de dinheiro.

A sonegação de impostos, a informalidade e a pirataria são medidas em quanto de dinheiro os cofres públicos deixam de arrecadar.

Os crimes como roubos, furtos, pornografia geral, prostituição, venda de armas e drogas são dimensionados em valores das moedas correntes.

As ações na internet, os uploads e downloads, as propagandas, a própria conexão são feitas por pagamentos em dinheiro.

As negociações diárias nas Bolsas de Valores, presente ou futura, de manufatura ou tecnológica, mesmo usando telas digitais, são finalizadas em valores.

As perdas por catástrofes naturais, acidentes dos mais variados e danos estruturais causados por terceiros são computados em dinheiro além do número das vítimas.

As indenizações por danos morais (coisa subjetiva), por prejuízos causados ao patrimônio público ou privado (coisa objetiva) e indenizações por dolo de qualquer natureza são valorizadas em dinheiro.

O poder nas instituições humanas tem o dinheiro no seu centro.

A lista é enorme, finita, mas enorme. Apenas que cansei de tentar encontrar palavras mais atenuadas para a ganância do ser humano e dos governos aos quais estamos subjugados. Como já disse o apóstolo Paulo:

Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.
I Timóteo 6.10

Aparentemente não podemos fugir completamente disso, não podemos simplesmente optar por não usar o dinheiro ou por não trabalhar para ganhá-lo, sem as consequências que isso gera, não deixaremos de fazer o bom uso do dinheiro (se é que isto existe) e, ele, atualmente, é aquele “mal necessário” a todos nós, porém não deixaremos de ver todos os dias, enquanto este sistema persistir, os resultados que ele produz nas vidas de bilhões de pessoas no planeta.



Carlos de Carvalho
Teólogo e Cientista Social pela Universidade Metodista de São Paulo

Fundador da ONG ABAN Brasil

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Família - A Tentativa da Nova Definição


FAMÍLIA – A Tentativa da Nova Definição

Carlos de Carvalho[1]


É fato comprovado que conceituar a família não é fácil, principalmente quando se leva em conta a história humana. Como não acredito em modelo familiar que não tem registro histórico, mas apenas especulação paleontológica de possibilidades, atenho-me ao que se pode encontrar nos concretos registros históricos que dispomos que datam, as mais distantes, de apenas 13 séculos ante de Cristo[2], um tempo extremamente pequeno ao considerar as datas aceitas para a vida no planeta.

A “evolução” histórica do conceito de família passou por pouca mudança até o presente momento, quando consideramos adequadamente o que se nos apresenta estes mesmos registros. As famílias eram constituídas de todos os seus integrantes (consaguíneos ou não) e possuindo ou não laços afetivos. Era isso que se perpetuou em linhas gerais e as pouquíssimas variações são de casos extraordinários, como a monoparentalidade em casos esporádicos.

Por causa da poderosíssima influência do Cristianismo no mundo, estamos mais acostumados com a definição tradicional de família introduzido largamente nas leis e constituições dos países. Como entendimento deste modelo tradicional pode-se inferir que família é o conjunto de pessoas que possuem grau de parentesco entre si que vivem na mesma casa e uma família tradicional é normalmente formada pelo pai e mãe, unidos pelo matrimônio, com um ou mais filhos. Esta é uma unidade familiar nuclear ou elementar.
Com o advento do fim da modernidade e a entrada no ambiente da Pós-modernidade, as mais estranhas e diferentes definições surgiram – obviamente por refletir o próprio espírito pós-moderno de mudanças e rompimento com o estável e tradicional. Abaixo vemos as definições de família em oferta, além, é claro, da já conhecida e tradicional:

Família monoparental
Composta por apenas um dos progenitores: pai ou mãe. Os motivos que possibilitam essa estrutura são diversos. Englobam causas circunstanciais (morte, abandono ou divórcio) ou ainda, a decisão (na maior parte dos casos, uma decisão da mulher) de ter um filho de forma independente.
Família comunitária
Nesta estrutura, todos os membros adultos que constituem o agregado familiar são responsáveis pela educação da criança.
Família arco-íris
É constituída por um casal homossexual (ou pessoa sozinha homossexual) que tenha uma ou mais crianças ao seu cargo.
Família contemporânea
É caracterizada pela inversão dos papéis do homem e da mulher na estrutura familiar passando a ser a mulher a chefe de família. Abrange a família monoparental, constituída por mãe solteira ou divorciada.

Há claramente uma tentativa, inclusive de nossos magistrados de alterar o conceito tradicional de família e estendê-lo tanto quanto possível, com a finalidade de, segundo os que assim compreendem, englobar de maneira total todos as aspectos da sociedade contemporânea para dar respostas adequadas às demandas que se apresentarem. Embora o argumento seja bem sólido e procede de lógica, não significa, todavia, que seja verdadeiro.

Quase todas as mudanças nas bases das sociedades aceitas até aqui não melhoraram as relações humanas, exceto aquelas que trataram das liberdades, como por exemplo, o fim da escravidão, os direitos civis dos negros, a liberdade religiosa e a laicidade dos Estados. As demais produziram mais conflitos do que paz social. É certo que as lutas por essas liberdades também criaram graus de violências que insistem em existir até hoje.

No que diz respeito aos magistrados de nosso país, alguns pensam nestes termos em definição de família: “Família é um agrupamento de pessoas caracterizado por afetividade”[3], declara certa Magistrada brasileira. Já o defensor público Alfredo Homsi, diz que: “A família contemporânea qualifica-se pela diversidade, decorrente da busca pelo afeto e pela felicidade, desvinculando-se do conceito tradicionalista e passando a aceitar sua variedade de constituição, aceitando a existência de todos os filhos de forma igual, superando o entendimento conservador acerca da necessidade do laço consanguíneo para a formação de um núcleo familiar.”[4]

Portanto, está clara a intenção da imposição das mudanças no conceito de família por parte de alguns de nossos magistrados e também de políticos. Não sabemos se isto se constituí um eco dos desejos dos militantes das chamadas “minorias” ou se é verdadeiro anseio por construir um “país melhor, mais digno, mais igualitário”, como ouvimos constantemente nos discursos destes “defensores dos direitos de todos” (todos os incluídos em seus conceitos, óbvio!).

Não sabemos aonde tudo isso vai nos levar, e por dois motivos simples: o primeiro é que a implantação de uma nova cultura não serve de base sustentatória para descrever os desdobramentos que virão na vida da sociedade que a receberá. Ou seja, os resultados de mudanças radicais nas bases de uma sociedade nunca foram benéficos aos seus habitantes. Lembrem-se apenas da destruição social, cultural e histórica causadas pelo período das colonizações no mundo.

O segundo é que, mesmo que se dêem respostas legais e posteriormente transformadas em leis às questões atuais, as mudanças conceituais de família poderão ter consequências exatamente opostas ao esperado. Não temos como saber o que virá. Num país como o Brasil, com o histórico de que “o tiro sai muitas vezes pela culatra”, não temos uma ideia clara dos quadros que se apresentarão diante de nós no futuro. Como o cachorrinho que corre atrás do rabo, iremos sempre trabalhar ciclicamente com nosso histórico “programa de paliativos”, sempre mudando as coisas, mas ficando no mesmo lugar, porque como diz um provérbio antigo:

Não removas os antigos limites que teus pais estabeleceram.
Provérbios 22. 28





Referências Auxiliares

Direito de Família. Disponível em: http://academico.direito-rio.fgv.br/ccmw/images/6/68/DIREITO_DE_FAMILIA_2011-2.pdf.

Evolução Histórica e Legislativa da Família. Disponível em: http://www.emerj.tjrj.jus.br/serieaperfeicoamentodemagistrados/paginas/series/13/volumeI/10anosdocodigocivil_205.pdf

MARIANO, Ana Beatriz Paraná. As mudanças no modelo familiar tradicional e o afeto como pilar de sustentação destas novas entidades familiares. 2010. PDF.

NORONHA & PARRON. A Evolução do Conceito de Família. Maressa Maelly Soares Noronha, Stênio Ferreira Parron. 2012. PDF.



Notas



[1] Carlos de Carvalho. Teólogo e Cientista Social pela Universidade Metodista de São Paulo. Fundador da ONG ABAN Brasil

[2] A História dos Registros do Conhecimento. Disponível em: http://dci.ccsa.ufpb.br/enebd/index.php/enebd/article/viewFile/104/111

[3] Juíza manda registrar criança com nomes da mãe e dos pais adotivo e biológico. Disponível em: http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/juiza-manda-registrar-crianca-com-nomes-da-mae-e-dos-pais-adotivo-e-biologico/

[4] As Novas Famílias Brasileiras. Disponível em: http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/as-novas-familias-brasileiras-que-a-lei-precisa-enxergar/

quarta-feira, 20 de maio de 2015

13 Verdades Inquestionáveis do Antigo Testamento


13 Verdades Inquestionáveis do Antigo Testamento



Desde o ano de 2013 tenho pensado nos termos deste título. Se pudéssemos compilar em frases curtas ou axiomas, quais seriam, em linhas gerais, as principais verdades encontradas na Antiga Aliança, o que encontraríamos?
Sendo assim, descrevi treze destas verdades inquestionáveis que claramente se pode obter da leitura do que erroneamente é chamado de Velho Testamento. Não são as únicas, certamente há diversas, mas estas são tão óbvias, e por isso inquestionáveis.

Um.
Deus não tem substitutos (Deuteronômio 6.4,5)
Esta e a verdade central da Antiga Aliança e das Escrituras hebraicas. Deus é um e único, não há ninguém como Ele, Ele é singular e nada pode ser comparado a Ele. É Criador, mantenedor da vida, Dono do universo, Senhor de tudo.

Dois.
Deus sempre nos permite uma escolha (Deuteronômio 30.19)
Deus, embora Senhor e Soberano, não criou robôs, mas seres humanos à sua imagem e semelhança, e por isso, dotados de vontade e escolha. Ele nos permite escolher até mesmo não crer nEle e não andar em seus caminhos, mas também nos responsabiliza por nossas decisões.

Três.
A Palavra de Deus é a fonte da prudência e do sucesso pessoal (Josué 1.8)
Esta é uma verdade impressionante nas Escrituras antigas. A pessoa tem a condição de trilhar um caminho próspero e correto ao meditar no que Deus deixou como instrução escrita para ela, e, ao agir de acordo com essas instruções, sua vida desfrutará de verdadeiro sucesso. Não são técnicas de sucesso pessoal ou autoajuda, mas prática diária das instruções divinas que traz real prosperidade.
 
Quatro.
O Senhor ouve o clamor do seu povo (2 Crônicas 7.13-15)
Por todos os livros do chamado Antigo Testamento a oração ocupa lugar de destaque. É a oração, o clamor, os pedidos de socorro do povo de Deus que O fazem agir por eles. É a resposta do clamor e da oração que traz de Deus, vitórias sobre os inimigos, ressurreição de mortos, multiplicação de alimentos, milagres, juízos e muito mais. Por toda a Bíblia Deus ouve o clamor de seu povo e responde.

Cinco.
O nosso Deus restitui (Jó 42.10)
Não é somente no livro de Jó que se vê Deus operando a restituição a um homem de seu estado anterior de bênção e paz, mas isso é visto na lei da remissão (Deut.15), na restituição do prejuízo ao próximo (Êxo.22), e é promessa profética para o povo (Joel 2). A restituição é tema comum na Antiga Aliança e aborda muitos aspectos da vida comunitária.

Seis.
Deus é bom (Salmo 103.1-17)
O Senhor é bom e sua misericórdia – que é a manifestação amorosa desta bondade – dura para sempre. É isso que a Antiga Aliança ressalta deste sempre. Mesmo em meio a um mundo cruel e contaminado pelo pecado, mesmo que os seres humanos se degradem entre si em violência e mesmo que a humanidade viva desviada perversamente de Deus, Deus continua sendo bom.

Sete.
Deus nos abençoa (Provérbios 10.22)
A bênção de Deus é outra constante nas Escrituras hebraicas. Ela descreve não somente o número e o conteúdo das mesmas, mas também um estado espiritual no qual se encontra aquele ou aquela que exerce confiança no Senhor. A própria palavra para descrever a paz que vem de Deus “shalom” tem em si mesma inserida a plenitude das bênçãos que dEle procedem.

Oito.
Tudo tem seu tempo determinado (Eclesiastes 3.1)
Nas Bíblia hebraica a ideia do tempo certo, do tempo oportuno e dos acontecimentos que ocorrem nos tempos determinados por Deus é vital para a confiança e esperança do povo de Yahweh. Tudo nas Escrituras antigas tem a ver com o tempo: as coisas criadas, as genealogias, as promessas, as profecias, a restauração da habitação na terra de Israel, o futuro. Tudo absolutamente se relaciona com o tempo.

Nove.
Buscar a Deus tem prazo de validade (Isaías 55.10)
Esta verdade é algo especial no Antigo Testamento. Deus se deixa encontrar pelos homens, espera o arrependimento por parte dos pecadores, dá inúmeras oportunidades de libertação da opressão, perdoa os pecados mais graves, levanta líderes guerreiros para salvar quando necessário e coisas semelhantes. Porém, algo também é certo: quando esses tempos de espera terminam, os juízos são tão reais quanto o Seu perdão e misericórdia.

Dez.
Deus tem normas para quase todas as áreas da vida, até para as relações comerciais (Jeremias 22.13)
Quando o Senhor tirou o povo do Egito não pensava apenas em libertá-los para que vivessem da maneira que quisessem, Ele estava formando uma nação acima de qualquer coisa. Uma nação precisa de leis, de ordem, de preceitos, de normas de conduta, de legislação, de uma constituição, de leis governamentais, de código penal, de líderes, governadores e juízes e de instituições legítimas. Por isso a Lei foi dada a Israel.

Onze.
Cada um dará conta de si mesmo a Deus (Ezequiel 18)
“A alma que pecar esta morrerá”. Esta é a tônica e a forma como o Senhor trata os pecados pessoais. Há os pecados nacionais e internacionais nas Escrituras antigas, mas os pecados pessoais são tratados no foro da pessoa em particular. Cada pessoa dá conta de si mesmo a Deus, isto significa que cada um é responsável por sua parcela de erro e receberá a justa punição por eles.

Doze.
As Escrituras são um guia seguro para a vida (Salmo 119.105)
Tudo na Escritura Sagrada aponta para essa verdade: A Palavra de Deus é suficiente, poderosa, eficaz e capaz de garantir aos que nEle confiam, segurança na vida, direção certa e luz que basta para o caminhar. Mesmo diante das dificuldades e tragédias da vida, esta Palavra é fonte de consolo e abrigo e nos leva para o lugar mais seguro que existe: o esconderijo do Altíssimo.

Treze.
O temor do Senhor é princípio para a manutenção da vida humana (Provérbios 1.7)
“De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo o homem. Porque Deus há de trazer a juízo toda a obra, e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau”. É assim que estão escritas as últimas palavras no livro do Eclesiastes. Um lembrete final para todos aqueles que querem viver bem nesta terra e também um lembrete para todos os que optarem por buscar a vaidade da vida.


Carlos Carvalho

Teólogo e Pr. Sênior da Comunidade Batista Bíblica

Publicado no blog: www.logostheon.blogspot.com

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Tensão Tripla: momentos distintos e simultâneos na fé cristã de nossos dias


TENSÃO TRIPLA

Acredito que vivemos três momentos distintos e simultâneos no que diz respeito à fé cristã de nossos dias:

O primeiro é o aspecto superficial, não bíblico, sem referências escriturísticas fundamentadas que permeiam o universo dos crentes de nosso país e também do Ocidente. Vivemos uma verdadeira falsidade ideológica, no sentido restrito dessa expressão, ou seja, usar uma identidade que não é a sua. O mais importante da falsidade ideológica é, para a considerarmos como tal, que a forma do documento seja verdadeira, ao passo que a fraude esteja inserida no seu conteúdo. Em outras palavras, apresenta-se como sendo a expressão da verdade, mas de fato, esconde a realidade da falsificação.

Falsos obreiros, falsas autoridades, gente não vocacionada ocupando espaços sagrados, dissimuladores e falsificadores da Palavra, falsos adoradores e um número enorme de pessoas não libertas das garras dos demônios assumindo a direção de “cultos” de todos os tipos. Gananciosos, interesseiros, vingativos, libertinos, ociosos, perturbadores da paz cristã, caluniadores, negociadores da fé, manipuladores de textos bíblicos para seu lucro pessoal e pseudodetentores da verdade com a capa de “ungidos” apenas por Deus, ou “mandados” somente pelo Espírito Santo sem o aval da verdadeira igreja de Cristo. Um batalhão de crentes que desejam ser o que não são e tampouco foram chamados para ser!

O segundo é o equívoco da maneira de viver o cristianismo. Isso se inicia na interpretação errônea do texto sagrado, fazendo-o declarar inverdades, e, no “melhor” das hipóteses dar ênfases contraditórias ou meias verdades que não trazem real transformação de vida nem mudança de atitudes dos crentes em relação à moral, à ética e ao comportamento diário. Assim se gera um exército de gente que se tornam verdadeiros poços de iniquidade, de palavras torpes, de falsas verdades, de comportamento dúbio, sem conversão, sem arrependimento e sem Cristo ao final.

A coisa se aprofunda e o campo de Deus se torna um reduto de joios, de virgens não preparadas (segundo a parábola de Jesus), de gente permissiva e sensual, de apóstatas e lobos em pele de cordeiros, gente para quem as cartas de segunda a Pedro e Judas foram escritas e que vivem sorrateiramente em nosso meio como se fossem salvos, mas não há para estes nenhuma esperança de redenção, e como parece que sabem disso, desejam contaminar o máximo possível de cristãos neófitos e confusos e levá-los consigo para a sua perdição.

O terceiro momento simultâneo é a da completa falta de compreensão da vocação e eleição cristã que pode nos fazer ir ao extremo de perder a própria vida por amor a Cristo. No Ocidente não vivemos uma perseguição declarada aos cristãos, ao menos ainda. Há uma intolerância velada contra nós na mídia, nas lutas de minorias que desejam seus “direitos” em detrimento à revelação bíblica e no ambiente da educação onde não se permite de maneira pontual uma defesa da fé cristã e do criacionismo, mas em linhas gerais, uma perseguição geral e feroz ainda não é uma possibilidade em curto prazo. Isso torna os cristãos ocidentais uma espécie de anestesiados em relação ao que acontece no mundo oriental e em lugares de regimes absolutistas.

A exemplo disso, a morte de cristãos no mundo chega à casa dos 10.000 por ano, somente nos casos documentados e isso é uma pequena parcela da realidade global. Parece que isso só nos choca por um momento e depois seguimos com a vida repleta de facilidades e prazer, e apenas algumas ações pontuais são realizadas por certos grupos de cristãos atuantes em direção a esses graves problemas com alguns clamores de oração por eles. Não participamos das dores de nossos irmãos e irmãs mais efetivamente. Isto não é um chamado a uma cruzada armada em defesa deles, mas um clamor por uma ação fortemente mais concreta até mesmo na construção e manutenção de “cidades de refúgio” por parte da igreja mundial em países tolerantes à nossa fé. Precisa ser uma ação global, incisiva e não armada.

Tudo isso sem mencionar nossa apatia às demandas de justiça social e carências profundas nas quais vivem o próprio povo das nações onde os cristãos habitam. Um Evangelho total para o ser humano passa necessariamente por esforçadas ações humanitárias e solidárias que já há muito nos foram ensinadas pelo Senhor Jesus na parábola do samaritano. Sabemos que o mundo (as pessoas que nele habitam) não se torna melhor com o passar do tempo, mas a igreja de Cristo não pode deixar de comunicar a mensagem do Senhor e tampouco não agir como Ele agiria se estivesse pessoalmente aqui.

Jesus sabia que o mundo inteiro não seria transformado por sua mensagem, mas também sabia que bilhões seguiriam sua vida e ensinos. Talvez não consigamos mudar de fato o mundo, mas não devemos deixar de acreditar que sua mensagem é a resposta para a raça humana caída e sujeita ao pecado que a destrói continuamente. Agir como Jesus é amar o mundo como Ele amou e morreu por isso, é ser agente de transformação e reconciliação como Ele foi e foi rejeitado por muitos, é ser pacífico e pacificador como Ele foi, mesmo quando desejam tirar a nossa vida como estão fazendo em alguns países.

Vivemos a tensão tripla entre a falsidade ideológica cristã, a práxis da vida cristã e a compreensão da vocação cristã, e isto em um ambiente nacional e global de tremendas demandas e necessidades sociais. Tenho dito que não é preciso apenas um retorno à fé reformada, mas um retorno à fé de Cristo, dos apóstolos do Cordeiro e dos primeiros discípulos para se criar um novo momento de transformação que o mundo precisa. Ou isso, ou o retorno de Cristo ao mundo!



© Carlos Carvalho
Teólogo e Cientista Social
Comunidade Batista Bíblica
Seminário Teológico Batista Independente de São Paulo

Universidade Metodista de São Paulo

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Falsas Autoridades - uma perspectiva bíblica da coisa de nossos dias.


FALSAS AUTORIDADES

As Escrituras descrevem vividamente uma série de indivíduos que se fazem passar por autoridades constituídas por Deus, mas não são, porém estão vivendo e agindo no meio da Igreja do Senhor em nossos dias. Tal como o joio semeado pelo inimigo durante a noite na parábola ensinada por Jesus (Mateus 13.24-30 e 36-43), estes e estas falsas “autoridades”, não sendo cristãos(ãs) genuínos(as), não convertidos(as), e tampouco levantados(as) ou ungidos(as) por Deus, seguem seu caminho de destruição, desvirtuando a Palavra, desencaminhando os crentes fracos e separando as ovelhas de seu verdadeiro Pastor. Para início de conversa, quero conceituar a palavra “falso”.

No uso do Novo Testamento, encontramos a palavra “pseudo” como raiz em quase todos os escritos, para denotar a falsidade ou a mentira. Há numerosas palavras compostas que associam “pseudo”, como pseudomai (mentir), pseudos (mentira), pseustes (mentiroso) e pseudes (enganoso). Ela se refere aos fatores que distinguem os verdadeiros discípulos de Jesus e os que não o são, é a luta entre a verdade e a mentira, a obediência e desobediência. Neste caso, essa mentira ou falsidade é traiçoeira e cúmplice da morte. Quem são esses “falsos” descritos no Novo Testamento? Vejamos a pequena lista composta pela palavra pseudo:

Pseudochristos (falsos cristos) – Mateus 24.24; Marcos 13.24 – Os indivíduos que se apresentam como sendo o próprio Cristo ou uma manifestação dele.

Pseudoprophetes (falso profeta) – Mateus 7.15; 24.11, 24; Marcos 13.22; Lucas 6.26; Atos 13.6; 2 Pedro 2.1; 1 João 4.1; Apocalipse 16.13; 19.20; 20.20 – Os que pensam que receberam mensagens divinas para transmitir a outros ou os que conscientemente enganam os outros se dizendo profetas.

Pseudomartys (falsa testemunha) – Mateus 26.60; 1 Coríntios 15.15 – Todos os que se dizem servos e crentes, mas suas vidas estão em desarmonia com a revelação bíblica. Neste grupo se inclui todos os que professam serem cristãos, mas praticam uma religião ou seita incoerente com a vida de Jesus e dos discípulos.

Pseudadelphos (falso irmão) – 2 Coríntios 11.26; Gálatas 2.4 – São os que estão na igreja com a clara intenção de perverter a fé dos demais trazendo confusão doutrinária e falta de unidade no corpo local.

Pseudapostolos (falso apóstolo) – 2 Coríntios 11.13 – São todos os que se intitulam, se apresentam como apóstolos de Deus, mas não demonstram as credenciais bíblicas que os autorizariam a seguir neste ofício (1 Coríntios 9.1-3).

Pseudodidaskalos (falso mestre) – 2 Pedro 2.1 – São os que ensinam doutrinas estranhas à fé do Evangelho, negam a Cristo, manipulam a Palavra visando o seu próprio lucro, enganam as almas inconstantes pelo seu ensino e abrem o caminho da perdição com suas palavras (1 Timóteo 4.16).

Estas são as palavras base para toda a forma de falsidade de autoridade no Novo Testamento. Não podemos deixar de mencionar que o Antigo Testamento ainda traz a expressão “pastores que apascentam a si mesmos” que reflete a ideia de falsos pastores do rebanho de Deus (Ezequiel 34). Portanto, podemos inferir, e, sem receio algum, dizer que existem outros falsos ministros (2 Coríntios 11.15) que assolam as igrejas e o corpo de Cristo com sua falsa autoridade. São falsos pastores, falsos evangelistas, falsos bispos, falsos cantores(as), falsos músicos(as) e falsos líderes de todos os tipos e qualidade.

Convém seriamente nestes dias tomarmos os exemplos das repreensões do Senhor às igrejas do Apocalipse e observarmos quais foram os seus graves erros a fim de não repeti-los em nossa história, o que sabemos que já está acontecendo. Vejamos alguns:

Igreja de Éfeso (Apocalipse 2.1-7) – embora esta igreja tenha posto à prova os falsos apóstolos e rejeitado a doutrina dos nicolaítas, ela perdeu sua essência: DEIXOU O PRIMEIRO AMOR.

Igreja de Pérgamo (Apoc.2.12-17) – esta igreja foi gerada no centro da adoração mais profunda do Império Romano, sofreu muito por isso, mas permitia em seu seio os que SEGUIAM A DOUTRINA DO FALSO PROFETA BALAÃO.

Igreja de Tiatira (Apoc. 2.18-29) – era uma igreja com muitas virtudes, mas era tolerante COM A FALSA PROFETISA JEZABEL, mulher sem libertação, usada na igreja pelo espírito imundo que operou na maligna rainha Jezabel do AT, e que seu papel é o de fingir estar agindo debaixo do Espírito Santo, todavia, ministra influência de demônios nos que nela acreditam.

Igreja de Sardes (Apoc. 3.1-6) – igreja com um número muito baixo de crentes salvos e convertidos, mas repleta de “irmãos” MORTOS, SEM VIDA CRISTÃ E REPROVADOS pelo Senhor da Igreja.

Igreja de Laodicéia (Apoc.3.14-22) – igreja rica e próspera, mas que NÃO CONHECIA SUA SITUAÇÃO ESPIRITUAL, NEM QUE O SENHOR NÃO ESTAVA NELA.


“...Acautelai-vos, que ninguém vos engane.”
Mateus 24.4


Referências:
Dicionário Vine. W. E. Vine, Merril F. Unger, Willian White Jr. [trad. Luís Aton de Macedo]. Rio de Janeiro, RJ: CPAD, 2002.

Dicionário internacional de teologia do Novo Testamento / Colin Brown, Lothar Coenen (orgs.); [tradução: Gordon Chown], -- 2. ed. – São Paulo: Vida Nova, 2000.


Bp. Carlos Kleber Carvalho
Teólogo, Cientista Social, Pr. Sênior da Comunidade Batista Bíblica

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